Coloquei este texto no meu Facebook ontem e depois de tantos comentários e interações, resolvi colocar aqui no blog também, porém atualizando meus pensamentos (lá em baixo, na parte “minha opinião”) depois de algumas horas e depois de ler tudo o que foi comentado. Continuarei a Não citar nomes de pessoas e nem de lugares e peço aos que saibam, que também mantenham anônimo, por favor!

Imaginem o seguinte cenário:

Um restaurante caro em SP, que tem como sommelier(e) uma pessoa extremamente competente e dedicada ao vinho. Pessoa pronta pra degustar, avaliar e servir perfeitamente qualquer vinho que seja. E então um grupo de clientes chega com uma garrafa de vinho mais antigo. Então, o(a) profissional recebe o vinho, abre e dá a quem trouxe para experimentar. O que deveria ter feito este cliente? Educadamente falado para o(a) profissional que experimentasse também. Se não pela etiqueta, por educação. Mas ele não fez isso e o(a) sommelier(e) por educação e etiqueta, não provou na hora. E para surpresa do(a) sommelier(e), o dono do vinho recusa o próprio vinho, dizendo que “o vinho tá passado”. E então, este profissional retira o vinho, mesmo achando que está bom e a noite segue. Lá dentro, depois de tudo, ele(a) provou e aprovou o vinho. Maduro, evoluído, mas inteiro, com acidez e em ótimo estado! Mas o dono do vinho não soube entender o perfil do vinho. Acontece…

Pois este sommelier(e) posta uma foto do vinho em suas redes sociais, explicando que, pra ele(a), o vinho estava ótimo… maduro, com acidez bem presente, mas ainda muito bom para ser tomado. IMPORTANTE: O profissional NÃO citou o nome dos clientes, nem o lugar e nem quando isso aconteceu. Apenas explicou que algumas pessoas não estão acostumadas com vinhos maduros e suas características e colocou apenas uma foto da garrafa. Um post didático e explicativo.

Mas o tal cliente seguia este profissional em suas redes sociais e se sentiu ofendido e exposto, MESMO não tendo citado nenhum nome, lugar e data! O post foi apagado 20 minutos depois, mas a pessoa infernizou a vida dos envolvidos, até conseguir que o restaurante demitisse o(a) profissional!!!

Minha opinião: Conversando com a pessoa envolvida diretamente e que foi mandada embora, ela mesma disse entender o motivo e que ela errou ao postar a foto. E esta é a mesma opinião de muitos dos que comentaram o meu post. Eu, como blogueiro e escritor de vinho e que uso o Instagram como ferramenta de trabalho, tendo a concordar com ela em parte. Afinal, as redes sociais estão aí para isso. Vivemos uma era em que todos postam, todos falam, todos opinam. Nossas vidas já não são mais secretas e cada passo que damos, somos monitorados sem saber. Então, posta quem quer, o que quer, quando quer e como quer e o cliente que pediu a cabeça deste profissional (e conseguiu) não deveria se sentir atingido, humilhado, exposto ou qualquer coisa que o seja. Ela não falou que ele não sabia tomar vinho, ela não falou que ele era burro ou ignorante. Ela falou apenas que muita gente não entendo o estilo de um vinho maduro. E isto não é demérito para ninguém!! Isso é gosto pessoal! Além do mais, ela não citou nomes, nem lugar e nem data. Talvez ela pudesse ter postado 1 semana depois, 1 mês depois, mas por querer escrever um post didático e instrutivo, ela pecou pelo timing.

Mas de tudo isso, o que mais me revolta e o que vi a maioria das pessoas comentando, é a postura deste cliente. Postura arrogante, soberba, autoritária. Sabemos que o cliente é e sempre será prioridade pra o restaurante. Fico triste por ter um(a) profissional como este(a) passando por algo assim. Com que motivo? Se ele tivesse sido citado, eu entendo. Mas nenhuma menção foi feita. Hoje ele deve estar feliz e satisfeito… mas infelizmente temos um(a) profissional mais do que competente sem trabalho, mas que logo vai se recolocar, pois quem é bom, não fica muito tempo fora. Já este coitado cliente, vai continuar arrumando motivos para se achar melhor que os outros só porque bebe vinhos caros. É a grande mazela do mundo do vinho, infelizmente! Se tivéssemos mais humildade em todas as partes do mercado, teríamos o vinho mais democratizado, menos enfrescalhado e mais acessível a todos!

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