Durante minha última viagem ao Chile, fui visitar uma vinícola que conheço faz tempo e admiro muito o trabalho deles, particularmente dos vinhos diferentes que o querido Marcelo Retamal faz. Marcelo é um dos enólogos mais competentes e reconhecidos do Chile e isto tem uma explicação simples: Consegue fazer vinhos que vão de A a Z, desde os mais simples até os mais complexos e diferentes.
 A De Martino existe desde 1934. Seus vinhedos são orgânicos e divididos em 350 ha, sendo 70% próprios. Hoje a produção é de 2 milhões de litros, mas apesar do número parecer grande, há alguns vinhos que a produção é bem limitada, pois são vinhos especiais e feitos de forma quase artesanal.
 
 Algumas inovações são vistas logo de cara na visita, quando Retamal começa a explicar tudo: Foudres de carvalho austríaco de 5.000 litros para fermentar alguns vinhos e não ter a interferência direta da madeira das barricas pequenas, pois o caravlho austríaco é mais neutro, além de ser maior a capacidade.

 As mais de 3.000 barricas são usadas, outra inovação de Marcelo. E mais: A barrica mais nova tem 6 anos e a mais velha, mais de 20. Eles não compram barricas novas para terem vinhos diferentes, que sejam pura expressão da fruta. “não importa muito a procedência e a idade. Vemos as barricas como recipientes que nos ajudam a fazer vinhos melhores.” Disse o orgulhoso Marcelo sobre o estilo dos seus vinhos.
 Numa degustação maravilhosa, de 9 vinhos de estilos e tipos completamente diferentes, pude provar algumas preciosidades deste mago chileno:
Viejas Tinajas Cinsault 2014 – cor violeta clara, muita fruta vermelha e preta, azeitona. Feito em ânforas de barro, as uvas fermentam inteiras sem os cachos. Depois são prensadas e cobertas. Vinho jovem que fica pronto em 8 meses. Leve, fácil de beber.
 Alto de Piedra Carmenere 2013 – 2 anos em fudres. Um Carmenere mais leve, que não tem geléia de fruta, mentol típicos do vinho chileno. Um vinho franco, pura fruta madura, sem ser enjoativo. Um vinho elegante!
 Las Cruces Old Vines Field Blend 2013 (Cachapoal) – 75% Malbec, 25% Carmenere. 2 anos de Fudre. É um Field Blend, ou seja, as uvas estão misturadas no vinhedo. O Malbec geralmente está pronto para ser colhido por volta de 15 de Março. O Carmenere, por volta de 15 de Abril. Como estão misturadas e a Malbec é predominante, colhem tudo, inclusive a Carmenere mais verde. Cofermentado. Um vinho com muita cereja, aniz, herbáceo.
Limávida Old Vines Field Blend 2013 (Maule) – 85% Malbec e 15% de outras uvas, co-fermentadas (ou seja, fermentadas juntas). Um vinho absolutamente diferente. Um vinho extremamente mineral, que deixa a fruta madura de lado e dá lugar para aromas de terra misturados com a fruta. Chega a ser salino de tanta mineralidade. Um vinhaço.
 Vigno 2013 – Feito com Carignan do Vale do Maule, um vinho de acidez impressionante, cor não tão intensa como se esperaria de um carignan que passou 3 meses, isso mesmo, 3 meses em contato com as cascas depois da fermentação. Um vinho franco, que como os outros, é a pura expressão do terroir.
Alto Los Toros Syrah 2011 – Um syrah que foge do tradicional. Azeitonas e cerejas predominam. Vinho de boa acidez, corpo mais leve do que o esperado para um Syrah e menos tânico. Vem do vale de Elki, ao norte, um vale que chove 90 mm ao ano. Elegância ao extremo!
 Quebrada Seca Chardonnay 2013 – Um chardonnay elegante, com madeira muito sutil, mas presente, pois fermentou em barricas usadas. Depois vai para os fudres, onde fica um pouco mais de 1 ano. Muita fruta como pera, abacaxi, pêssego. Sem a madeira enjoativa e as frutas sobre-maduras dos típicos Chardonnays chilenos.
Parcela 5 Sauvignon Blanc 2015 – um vinho com puro maracujá, mas com um fundo verde bem sutil se comparado a outros Sauvignon Blanc. Um vinho muito fácil de beber.
Viejas Tinajas Muscat 2014 – Feito em ânforas de barro, são colocadas as uvas nas ânforas e em média passam 15 dias fermentando com as cascas. Depois passam 6 meses em contato com as cascas e então tiram das ânforas e ficam 6 meses mais. Um vinho daqueles considerados laranja, de cor linda, meio pêssego e que com o tempo vai ficar mais alaranjado. Lembra lichias e pêssego. Um vinhaço para que, gosta de vinhos diferentes, beber de joelhos.

Não seria igual uma simples visita se não fosse a ajuda dos amigos da Decanter, importadora dos vinhos da De Martino, e também sem a atenção e o cuidado do Marcelo. Uma experiência incrível e inesquecível.
CHEERS!!

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