Amigos, o texto abaixo foi escrito pela querida amiga e sommelière Luiza Portela, após uma viagem ao Uruguai e sabendo de sua “queda” pelos vinhos de lá, convidei-a para escrever um texto sobre a master class que participamos no evento do Guia Descorchados deste ano! Espero que gostem!

No final do ano passado, fui convidada por uma amiga a visitar o Uruguai, após uma breve temporada em Portugal, França e África estudando vinhos.

Admito, nunca fui tão atraída por vinhos desta região, até me aprofundar no assunto e descobrir que o Uruguai vem se reinventando, mostrando vinhos elaborados e muitíssimo bem feitos.

Os vinhedos Uruguaios estão situados entre os paralelos 30 e 35, e contam com influência marítima e o frescor das correntes da Antártida, além da presença estimadíssima do Rio da Prata, que deságua no oceano Atlantico. Além disso, assim como nos outros países da América do Sul, há excelente intensidade solar que propicia vinhos com taninos mais bem resolvidos.

No sul encontram-se as regiões vinícolas de maior destaque e também com a maior produção do país.

A uva Tannat é a mais plantada, e reconhecida como a uva ícônica da região. Quando falamos em

Uruguai, ela permeia nossos mais profundos pensamentos.

Trazida do sudoeste da França – onde apresenta características distintas, como taninos mais incompreensíveis – esta variedade se encontrou no terroir deste país que é o segundo menor da América do Sul, apresentando muita fruta, concentração aromática e uma adstringência mais integrada. Aqui não falaremos só de Tannat – não se chateiem: nesta passagem ela será coadjuvante.

Neste pequeno resumo da visita ao Descorchados – o maior guia mundial de vinhos da Argentina, Brasil, Chile e Uruguai, que já ocorre há 20 anos – vou compartilhar com vocês minhas percepções sobre alguns vinhos que foram muito apreciados por mim.

Assim que entramos no evento, fomos direto participar da master class, que tinha como tema: Uruguai não é só Tannat.

Degustamos 10 vinhos de diferentes produtores, entre eles 3 dos meus preferidos, que falarei em breve.

Chegamos aos stands uruguaios e como sempre ocorre, fomos muito bem recebidos por Produtores, enólogos e importadores da região. Gente simples, educada e disposta.

Nesta jornada, sou somente uma apaixonada: acredite, no mundo dos vinhos nunca paramos de estudar.

Com um atrevimento sincero, divido com vocês os meus eleitos:

Pizzorno Family Estates – Primo 2013

Onde encontrar: Importadora Grand Cru

50% Tannat (plantada em dois solos distintos – calcário e pedregoso) e o resto da sua composição entre Merlot, Malbec e uma pequena porcentagem de Petit Verdot. Taninos firmes e bem colocados, final longo. Arrisco garantir: o tempo só lhe fará bem!

Alto de La Ballena – Cetus Cuvée 2013

Onde encontrar: Wine Brands

Terras atlânticas do Uruguai – apenas 15 km do mar. Blend de Cabernet Franc (sua maioria) Merlot e Syrah. Só foram feitas 2.200 garrafas. Herbáceo, Tabaco, Especiarias. Muito interessante e complexo. Evolue muito bem na taça. Deixe aquele restinho para mais tarde.

Viñedo de Los Vientos – Estival

Onde encontrar: Wine.com

Solo frio, Muito vento. Maturação lenta.

O Chardonnay traz elegância ao vinho. As outras uvas do Blend são gewurztraminer e moscato Bianco, que desenvolvem aquele toque floral tão aconchegante num branco. Facílimo de beber, difícil não gostar.

Viñedo de Los Vientos – Alcione 

Onde encontrar: wine.com

Licor de Tannat. Imagine aquele creme de papaia cremoso e bem feito sendo banhado por esta preciosidade? Tem que provar! Virou a minha sobremesa favorita.

@winesure

Luiza Portela é formada em pedagogia e psicomotricidade, e atua como professora desde 2008.

Apaixonada por vinho, se formou Sommelière profissional pela ABS-SP em 2016 e, desde então, vem participando de aulas, confrarias, degustações e viagens técnicas com visitas à diversas vinícolas no exterior. 

Luiza tem procurado unir suas duas grandes paixões: educação e vinho

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