A Quinta dos Murças é uma vinícola portuguesa localizada no norte do país, na região do Douro, mais especificamente na sub região de Cima Corgo, margem direita do Rio Douro, entre as cidades de Régua e Pinhão. Uma Quinta histórica, onde em 1947 foi plantada a primeira vinha vertical do Douro. Para explicar rapidamente, “Vinha Vertical” é um modo de plantar vinhedos que não era muito comum no Douro, ou seja, com as fileiras indo de baixo pra cima do morro e não de um lado a outro. É uma região com uma variedade muito grande de terroirs, variando os solos, altitude, inclinação de terreno, intensidade e direção dos ventos, entre outras coisas. E a Quinta das Murças, assim como outras vinícolas do Douro, tem uma infinidade de uvas diferentes, a maioria delas autóctones (nativas), fazendo vinhos de grande qualidade, bem distintos uns dos outros.

José Luís Moreira é o jovem enólogo que está à frente dos vinhos da vinícola e recentemente estive com ele aqui em SP, num encontro promovido pela Qualimpor, importadora que traz os vinhos das Murças com exclusividade, provando alguns de seus vinhos que vou falar mais abaixo.

O Assobio Branco 2017 foi a grande novidade, pois é a safra que justo agora está sendo lançada em Portugal. Feito com uvas brancas típicas de lá, como Viosinho, Verdelho, Rabigato, entre outras, é um um vinho leve, cítrico, fresco e fácil de beber. Um vinho que custa em média R$ 80,00 no mercado.

O Assobio Rosé 2016 é um daqueles rosés bonitos, clarinhos e deliciosos para o verão por exemplo. Feito com Touriga Nacional, Tinto Cão, Tinta Roriz e a pouco conhecida Rufete, passa apenas poucas horas em contato com as cascas, o suficiente para dar esta cor linda e ao mesmo tempo um bom corpo. Muita fruta vermelha nos aromas e sabores.Um vinho que custa em média R$ 80,00 no mercado.

Assobio Tinto 2016 já é um vinho mais conhecido por aqui. Um ótimo Douro de boa relação custo x benefício, passou apenas 6 meses em barricas para apenas 20% do vinho. Então aqui a fruta predomina, mas a Madeira mostra que dá uma boa arredondada nos taninos.Um vinho que custa em média R$ 80,00 no mercado.

Depois, o duo que para mim era novidade: Quinta dos Murças Minas e Quinta dos Murças Margem, ambos 2016. São estilos bem diferentes, sendo o Margem (Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinto Cão e Tinta Francisca) um vinho mais jovem, com menos estrutura e menos Madeira. Custa em torno de R$ 170,00) O Margem (Touriga Franca e Touriga Nacional) é um Single Vineyard (uvas vindas de um único vinhedo), de mais corpo, concentração e também uma madeira mais marcada. Por ser um vinho de produção muito menor, seu preço obviamente é bem mais alto: R$ 470,00.

 

Depois o Quinta dos Murças Reserva 2011, uma safra histórica em Portugal, que produziu vinhos extremamente longevos, com a maturação perfeita das uvas. Também um fieldblend (mistura de várias uvas diferentes num mesmo vinhedo) de muitas uvas, que estagiou 12 meses em barricas e tem um equilíbrio gostoso entre acidez, corpo, taninos e álcool. Vinho de boa guarda ainda pela frente, mesmo já tendo quase 7 anos. R$ 410,00

 

O Quinta das Murças VV47 2012 tem seu nome baseado exatamente na primeira vinha vertical (VV) do Douro, plantada no ano de 1947. É um fieldblend (vinhas velhas em que as diferentes variedades estão misturadas no vinhedo). Acidez maravilhosa, encorpado, taninos super redondos. Um vinhaço para se beber agora ou guardar por muito tempo e por tantas qualidades e produção pequena, não dá parta custar pouco. R$ 870,00.

 

Conhecia alguns dos vinhos das Murças, mas esta degustação foi muito bacana para entender melhor os conceitos da vinícola e alguns vinhos que ainda não conhecia. mais uma mostra do trabalho maravilhoso que Portugal vem fazendo, se reinventando com vinhos mais frescos e elegantes.

Um abraço e saúde, Déco.

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