Estamos em 2018! Depois de um 2017 especial, entramos num ano cheio de incertezas políticas e econômicas. Mas não quero aqui ficar divagando obre as tendências políticas e econômicas, mas sim falar um pouco do que eu achei sobre este ano que passou.

2017 começou incerto e terminou, na minha opinião, surpreendendo. A instabilidade política brasileira fez com que o mercado do vinho estimasse um ano ruim, afinal, em anos de crise, na teoria, o vinho entra na lista de itens que não são essenciais. Mas os números mostram que o mercado cresceu surpreendentemente.: 31,21% em valor e 32,35% em volume de vinhos e espumantes importados, segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio e divulgado pelo Adão Morelato, principal consultor de comércio exterior do mercado de vinhos. Um ponto importante merece destaque: Importação não quer dizer venda! Pode ter uma precaução dos importadores em fazer sobre-estoque para este ano e outras variáveis. Mas o fato é que os números são altos suficientes para mostrar que o mercado está crescendo e tem tudo para continuar assim.

Recentemente, o amigo Didú Russo publicou um texto muito feliz, com a opinião de alguns importadores profissionais do mercado e alguns deles foram enfáticos ao dizer que os supermercados e Clubes de Vinho / E-commerces são os grandes responsáveis pelo crescimento do mercado. De fato, quando falamos em dados quantitativos, estes players são importantíssimos e essenciais para este crescimento e não é preciso ter profundos conhecimentos estatísticos e financeiros para se chegar a esta conclusão. Mas é aqui que quero me aprofundar e deixar minha opinião.

Vivemos ouvindo que quantidade não quer dizer qualidade em muitas ocasiões de nossas vidas. No caso dos vinhos, quando falamos em grandes volumes, estamos falando de baixos preços e na teoria, vinhos de qualidade inferior aos mais caros. Aqui, um parênteses que costumo dizer a cada pessoa que me pergunta se “Vinho bom é sempre caro”: Vinho bom é aquele que a gente gosta e não necessariamente um vinho caro ou um vinho bem pontuado. Mas ouço muita gente dizer que os supermercados e e-commerces que vendem estes vinhos muito baratos são prejudiciais ao mercado, pois estão colocando vinho de má qualidade em suas prateleiras e sites. Entendo a colocação de quem pensa assim, mas o meu pensamento é um pouco diferente.

Vivemos querendo e fazendo esforços para que o mercado de vinho cresça, para que o Brasileiro que bebe vinho, comece a consumir mais e os que não bebem, comecem a entrar neste maravilhoso mundo de Baco. Mas não é bebendo grandes Bordeaux, Borgonhas, Brunellos e Barolos que o mercado vai crescer. Não é bebendo estes e outros grandes vinhos que as pessoas vão começar a entrar neste mundo. É exatamente nos vinhos de baixo preço, nas ofertas, nos vinhos com preços atrativos que faremos este mercado crescer. É aí que quem tá fora vai entrar. E depois que entrar, naturalmente a pessoa vai começar a se interessar, vai querer se aprofundar e vai beber vinhos cada vez melhores. Este é o caminho natural! Então toda a cadeia tem o seu papel na difusão da cultura do vinho e no incentivo ao crescimento do mercado. Se aquele vinho barato não é pra vc, indique para aquele seu amigo que tem vontade de começar a beber, mostre a ele que beber vinho é mais simples do que muitos pensam. Incentive, mostre que ele não precisa de uma taça de cristal superpoderosa, que ele não precisa reconhecer aromas da primeira manhã da primavera dos bosques da Romênia. E lembre: Não é porque você não gosta daquele vinho, porque acha ele simples demais, alcóolico, muita madeira ou qualquer outro motivo, que o vinho é ruim. Ele só não é para o teu gosto, mas certamente terá alguém que goste. Assim como deve ter vinhos que a gente goste, que os outros não gostem. E este é um dos motivos pelos quais o universo do vinho é maravilhoso! É um mundo sem fim, cheio de novidades a cada minuto e que teme espaço para tudo e para todos!

Com isso tudo, vejo um 2018 igual ou melhor que 2017. Que seja um ano que possamos colocar um tijolinho a mais na construção de um mercado mais sólido. Que os egos inflados e afetações ocupem cada vez menos espaço, dando lugar à simplicidade, à informação correta, ao consumo consciente de vinhos que gostamos e não de vinhos pontuados por críticos que não conhecemos e não sabemos do que gostam.

Que os bons vinhos, feitos de maneira correta, brasileiros ou importados, sejam cada vez mais reconhecidos por quem interessa, o consumidor.

Que os pequenos produtores de todo o mundo sejam reconhecidos e divulgados da maneira que merecem e que os grandes continuem crescendo e ajudando o mercado, sempre de forma honesta e competitiva, pois há espaço para todo mundo e aqui vai uma menção especial ao competente “artista” brasileiro do vinho, Eduardo Zencker, que teve seus vinhos bloqueados por denúncias anônimas de que produzia seus vinhos ilegalmente em sua garagem.

Que o nosso governo siga o exemplo de outros países produtores e declare o vinho como alimento, reduzindo os impostos e ajudando o setor a crescer e o consumidor a beber melhor, pagando menos.

Enfim, que 2018 seja melhor que 2017 e pior que 2019. E que nunca nos falte vinho bom em nossas taças! Feliz Ano Novo!

Abraços e Bons Vinhos!