Todo bom amante do vinho sabe que de nossa pátria mãe, vem algumas preciosidades engarrafadas, que são capazes de enfrentar grandes vinhos cultuados pelo mundo todo. Junto com Itália, Espanha e França, Portugal é o que eu chamo de “Quarteto de Ferro” do mundo do vinho. São países com longa tradição vinícola e que muitas vezes ditam tendências para o resto do mundo quando o assunto é vinho.

O que nem todo mundo sabe é que os vinhos portugueses tem muitos estilos diferentes, indo dos espumantes (gosto muito dos espumantes da Bairrada, passando pelos Rosés, Tintos e Fortificados, onde destaco os famosos Portos e os deliciosos Vinhos da Ilha da Madeira.

Mas falando de vinhos tranquilos, aqueles que não são fortificados e nem espumantes, há muitas regiões de destaque por lá, entre elas, algumas mais conhecidas como o Vinho Verde, Alentejo, Dão, Bairrada e Tejo. Mas há uma específica que é talvez a mais famosa e que para mim, junto com o Alentejo, produz os mais variados estilos de vinhos de lá: A Região do Douro.

A Região do Douro fica a nordeste do país e desde 2001 é classificada pela UNESCO como Patrimonio da Humanidade, na categoria “Paisagem Cultural”, tamanha é a beleza desta região. O nome da região é dado pelo principal rio que passa por lá, o Rio Douro (que é o mesmo e que muda de nome ao cruzar a fronteira com a Espanha, o Rio Duero). É uma região linda, que eu ainda não conheço in loco, mas que este ano tirarei a esta pendência da frente. É uma região de encostas muito íngremes às margens do rio, onde os terraços vitivinícolas dão o tom com caminhos que parecem traçados milimetricamente. Muito sol e calor na época de maturação das uvas, um solo predominantemente composto por xisto e granito e outros fatores fazem desta região um verdadeiro paraíso para as uvas amadurecerem e depois virarem os deliciosos Vinhos Brancos, Rosés, Tintos e Fortificados, afinal, é lá que são produzidos os vinhos do Porto e não na região da cidade do Porto. Lá no Porto eles são envelhecidos e não produzidos! Lá no Douro também podemos encontrar alguns espumantes, mas não é o foco da região.

As principais uvas por lá são um pouco diferentes das que estamos mais acostumados. Não que eles não plantem Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Chardonnay e outras uvas mais internacionais. Mas se tem um lugar onde as uvas locais tem extrema importancia, este lugar é Portugal e o Douro não foge à regra. Touriga, Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz (Tempranillo) e Tinta Barroca estão entre as tintas mais conhecidas, enquanto Rabigato, Viosinho, Gouveia e Malvasia são as brancas mais conhecidas.

O Douro se divide em 3 sub-regiões:

Baixo-Corgo, que representa mais de metade da região demarcada. Está localizada por toda a margem direita do Rio Douro, desde Barqueiros ao Rio Corgo (Régua). Na margem esquerda, desde a freguesia de Barrô até ao Rio Temi-Lobos, nas proximidades da Vila de Armamar. O Cima-Corgo é a segunda maior sub-região e estende-se desde as fronteiras do Cima-Corgo até ao meridiano que passa no Cachão da Valeira. Por último, o Douro Superior, que é a menor área e vai até à fronteira espanhola.

 

Bom, passada a parte teórica, vamos à prática. Recentemente pude participar de uma didática degustação organizada pelo IVDP – Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, convidado pelo meu competente amigo Miguel Icassatti, onde numa excelente Masterclass dada pelo craque Alexandre Lalas, jornalista que respeito muito pelo sério trabalho, especialmente em relação aos vinhos portugueses. Nesta aula, um painel de vinhos da região conseguiu exemplificar bem o que eu disse sobre o Douro ser uma região de enorme gama de estilos de vinhos. Vamos aos vinhos:

Quinta da Mieira Branco 2013 – um vinho feito 100% com a uva Rabigato, uma uva com pouca intensidade de aromas, mas muito, muito mineral, quase uma sensação de salgado. Um vinho leve, diferente e muito fresco.

Guru 2014 – pra mim, o melhor vinho branco português que existe. Feito pelas famosas enólogas Susana Esteban e Sandra Tavares, e que tem uma longa guarda pela frente. A madeira, ainda bem presente, mas sem incomodar dá uma estrutura impressionante ao vinho. Feito com diversas uvas locais.

Assobio Rosé 2014 – feito pela Quinta das Murças, é um vinho bem marcado pelas frutas vermelhas, boa acidez e coloração não tão intensa.

Quinta do Vallado Touriga Nacional 2014 – um vinho bem intenso, com frutas vermelhas maduras, muito floral, taninos bem presentes. Potente, encorpado e boa acidez. Parece novo ainda. Acho que em uns 2 anos estará no ponto ideal.

Duas Quintas 2011 – um vinho que, apesar dos seus 6 anos, parece um bebê. Taninos ainda bem marcantes, muita fruta madura e potência à flor da pele. Um vinho para guardar pelo menos mais uns 4 anos para ele estar no ponto ideal!

 
Cedro do Noval 2011 – um vinho diferente. Muita fruta seca, ervas, balsâmico e uvas passas. Encorpado, taninos bem presentes e ótima acidez!

Nenuma 2011 – um vinho extremamente elegante, com a madeira bem equilibrada com as furtas. Taninos macios, vinho com muita potência e de boa guarda ainda.

Vallegra Vinhas Velhas 2011 – O termo vinhas velhas em Portugal, muitas vezes significa que uvas variedades não são identificadas e estão misturadas nos vinhedos. Ou seja: provavelmente vários tipo de uvas devem ter sido vinificadas juntas, como era feito antigamente por lá. E este vinho é exatamente isso. E pra mim, foi o melhor vinho do painel. Equilibrado, macio, boa acidez… um vinhaço!

 

Como puderem ver, fomos dos brancos leves, aos encorpados; Passamos pelos Rosés; e Seguimos aos tintos, alguns mais simples e fáceis de beber, outros bem complexos. Este é o Douro que faz tanto enófilo feliz. Eu inclusive!

CHEERS!!

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